Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Regresso ao Passado: Coupling (2000-2004)

 

Nunca fui grande adepto do humor britânico. Mas nem sei por que razão, já que ainda vi pouco, mesmo quase nada, desse tipo de programas. Apenas sei que, cada vez que o canal sorteado no zapping de Domingo à noite evidenciava vestígios de comédia originária de terras de sua majestade, a minha face se contorcia instantaneamente, criando uma careta irreflectida, e os meus dedos eram reféns de um reflexo involuntário que me fazia mudar de posto quase de imediato. Nem sei porquê! Talvez fosse uma daquelas manias desenvolvidas durante os anos de acefalia vividos em grande parte da adolescência.

 

Felizmente, essa nóia – palavra que eu gosto particularmente e que não percebo a razão de não fazer parte da língua portuguesa, pois se o bué entrou por que não nóia (?) – passou-me e, como não podia deixar de ser, foi o Rick Gervais que me abriu as portas do mundo da comédia britânica. E eis que, depois de gargalhar compulsivamente com “Extras”, que dei por mim a descobrir aquela que pode muito bem ser uma das sete maravilhas do mundo, ou pelo menos, uma das sete maravilhas do mundo da comédia televisiva. Falo, pois claro, de “Coupling”.

 

Steve (Jack Davenport) e Susan (Sarah Alexander) encontram-se num bar e apaixonam-se. Começam uma relação, mas em vez da típica ligação a dois, têm de a partilhar com Jane (Gina Bellman), a completamente alucinada ex-namorada de Steve, Patrick (Ben Miles), o ex-namorado de Susan com queda para as mulheres, Jeff (Richard Coyle), o excêntrico melhor amigo de Steve, e Sally (Kate Isitt), a extravagante melhor amiga de Susan. 

 

“Coupling” pega numa fórmula de sucesso para fazer comédia, o sexo, e aproveita-a ao máximo. Os personagens são extrovertidos, excêntricos e descomplexados. Os textos são reais, ridículos, loucos e completamente divertidos. E, não querendo cair muito em comparações, mas parecendo-me que as mesmas são inevitáveis, “Coupling” é o que “Friends” devia ter sido. Eu adoro “Friends”. É uma das minhas sitcoms favoritas de todos os tempos. Mas… “Coupling” é melhor.

 

Um dos grandes feitos da série é a forma como grande parte da narrativa dos episódios é construída. Um dos exemplos mais comuns é o seguinte: o casal principal, a Susan e o Steve, vivem uma determinada situação, algo básico vivido entre casais, e o resto do episódio é passado a mostrarem-nos os pontos de vista masculino e feminino do assunto quando eles estão na companhia dos seus amigos. O resultado é soberbo e as gargalhadas são em doses industriais.

 

E depois temos os personagens. Os fantásticos personagens de onde se destaca Jeff, com todas as suas excentricidades, que consegue criar na sua mente as mais insanas ideias sobre o mundo do sexo, mas que entra em pânico ao falar com mulheres e acaba por dizer as coisas mais disparatadas que lhe ocorrem. Temos ainda a completamente louca Jane, que é capaz de dizer as maiores barbaridades alguma vez ouvidas e ainda consegue escapar com um sorriso, a extravagante Sally, com os seus medos de perder a sua beleza, e o mulherengo Patrick, um cabeça oca com particular queda para o sexo feminino e uma invejável colecção de filmes caseiros. E ainda o casal principal da história, o Steve, com os seus inspirados discursos sobre ser homem e o seu fascínio pelo lesbianismo, e a Susan, uma sexy mulher que consegue quase sempre o que quer.  

 

Em cerca de trinta episódios, “Coupling” consegue ser uma das mais divertidas séries de televisão existentes, até mesmo quando, na última temporada, perde um dos seus mais influentes membros do elenco, Richard Coyle, que decidiu que não queria ficar rotulado como “Jeff” e partiu para abraçar outros projectos. E não admira que a NBC até tenha tentado adaptar a mesma ao mercado americano, apesar de sem sucesso.

 

Aqui fica uma pequena amostra:

 

publicado por ZB às 16:34
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Terça-feira, 4 de Março de 2008

Regresso ao Passado: Kitchen Confidential (2005)

 

Encontrar boas séries, canceladas antes de tempo, é algo relativamente fácil na longa lista de programas que fazem parte do «cemitério» da FOX. Mas ver uma série que foi cancelada após alguns episódios não é algo que atraia muita gente. Gastar o tempo com algo que sabemos à partida não terminar de forma satisfatória é impedimento para que, muitas vezes, se descubram algumas pérolas que não tiveram oportunidade de brilhar.

 

“Kitchen Confidential” é um desses achados. Uma sitcom original e hilariante de 13 episódios, dos quais apenas 4 foram transmitidos na altura, que valem algumas horas bem divertidas.

 

Baseada no livro de Anthony Bourdain sobre comida, drogas e o trabalho nas cozinhas de restaurantes de topo, “Kitchen Confidential” conta a história de Jack Bourdain (Bradley Cooper), que tinha tudo na vida a seu favor até uma noite de deboche. Quatro anos depois, ele tenta organizar a sua vida com ajuda da namorada. Está sóbrio há um ano e trabalha na pizzaria dela, mas está longe dos tempos áureos como um dos melhores chefes de cozinha de Nova Iorque. Quando Pino Lugeria (Frank Langella) o contacta para que ele tome conta da cozinha do seu famoso restaurante, o Nolita, Jack sabe que é uma oferta que não pode recusar.

 

Com apenas 48 horas para encontrar um staff e abrir o restaurante a mais de 300 pessoas, entre os quais se encontra um crítico do New York Times, Jack decide recrutar os seus velhos amigos, Seth Richman (Nicholas Brendon), Teddy Wong (John Cho) e Steven Daedelus (Owain Yeoman). Mas nem tudo são facilidades, principalmente, quando Jack encontra alguma rivalidade com Mimi (Bonnie Somerville), a chefe dos empregados de mesa.

 

É uma pena que “Kitchen Confidential” não tenha tido oportunidades para se afirmar, porque valeria mesmo a pena continuar a ver esta série. Ainda por cima, até tem uma pequena reunião de “Alias” logo no quarto episódio… 

 

 

publicado por ZB às 12:02
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Segunda-feira, 3 de Março de 2008

Regresso ao Passado: Sports Night (1998-2000)

 

“It's a Show About a Show About Sports, That Isn't About Sports At All”

 

Antes de percorrer os bastidores da política (“The West Wing”) e os bastidores de um programa televisivo de sketchs de comédia (“Studio 60 on the Sunset Strip”), Aaron Sorkin decidira mostrar-nos os bastidores de um programa televisivo de desporto, “Sports Night”.

 

Produzida pelos conhecidos Ron Howard (“A Beautiful Mind”, “Arrested Development”), Brian Grazer (“24”, “Friday Night Lights”) e Tony Krantz (“24”; “Felicity”), “Sports Night” mostra-nos a forma como é feito um programa desportivo que partilha o nome da série e centra-se na relação dos personagens que o fazem: a equipa de pivots Casey McCall (Peter Krause) e Dan Rydell (Josh Charles), a produtora executiva Dana Whitaker (Felicity Huffman), os assistentes de produção Natalie Hurley (Sabrina Lloyd) e Jeremy Goodwin (Joshua Malina) e o seu patrão Isacc Jaffe (Robert Guillaume).

 

Podendo ser caracterizado como um drama com sentido de humor, “Sports Night”, surgiu na ABC, em 1998, apresentado em formato de sitcom. A escrita inteligente e os diálogos dinâmicos, características a que Sorkin nos habituou nos seus trabalhos, são duas das suas principais armas, às quais lhes podem ser acrescidas boas interpretações e uma realização competente.

 

Mas nem tudo são qualidades. O formato escolhido, já referido anteriormente, não foi o ideal para o tom sério que a série assume desde o início, sendo ainda mais desconcertante quando, de vez em quando, se ouvem os risos típicos das sitcoms e que surgem aqui totalmente deslocados.

 

Quase no final da primeira temporada, Robert Guillaume sofre um enfarte e deixa a série desprovida de um dos seus mais importantes elementos durante vários episódios. Mesmo após o seu regresso, e com Sorkin a decidir adaptar o sucedido ao actor à sua personagem, a verdade é que o carisma resultante da presença do actor deixou de ser significativo e por vezes até incomodativo, principalmente, nos momentos em que denota algumas dificuldades em articular a fala ou em movimentar-se.

 

Para piorar as coisas, para “Sports Night” entenda-se, em 1999, na altura em que a série iniciava a sua segunda temporada, Aaron Sorkin inicia aquele que será o seu melhor trabalho até hoje, “The West Wing”.

 

Talvez pela acumulação de trabalhos de Aaron Sorkin, nos primeiros episódios da segunda temporada, começam-se a notar algumas incoerências em termos de argumento, com bruscas mudanças em termos de história, havendo determinadas alturas em que a série parece ter perdido um pouco do seu rumo. A menor disponibilidade de Sorkin, que cada vez mais preferia dedicar o seu tempo ao drama político da NBC, e as baixas audiências acabaram por ditar o final da série nesse mesmo ano, mas não sem que o seu criador lhe desse um final digno de registo.

 

Apesar dos mais variados problemas, “Sports Night” não deixa de ser uma excelente série, sobretudo durante a primeira temporada, onde após o segundo episódio estamos completamente rendidos.

 

A montagem que se segue é composta de várias partes de um dos meus episódios favoritos, onde existe uma cena verdadeiramente fantástica que conta com a participação da Janel Malone como actriz convidada, e é um exemplo perfeito da qualidade da série. Tem mais de seis minutos, mas vejam até ao fim que vale bastante a pena.

 

 

Nota: Para quem viu a cena, e como curiosidade, os nomes referidos no final do clip são os de algumas das pessoas que trabalham na série e que o Aaron Sorkin fez questão que fossem mencionadas como reconhecimento do seu trabalho.

 

publicado por ZB às 12:12
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Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2008

Regresso ao Passado: Dead Like Me (2003-2004)

 

“Dead Like Me” é uma série da Showtime, criada por Bryan Fuller (“Wonderfalls”, “Pushing Daisies”) – o qual acabou por abandonar a mesma ao fim de apenas cinco episódios por divergências criativas com a produtora MGM Television –, que foi cancelada ao fim de duas temporadas.

 

Georgia “George” Lass (Ellen Muth) é uma jovem que perdeu o rumo da sua vida. Abandonou a faculdade e vive em casa dos pais sem ambições. Não tem amigos e despreza a sua família. Forçada pela mãe, Joy Lass (Cynthia Stevenson), a procurar emprego, começa a trabalhar na Happy Times Temporary Services, uma empresa de trabalho temporário. No seu primeiro dia de trabalho, durante a pausa para almoço, George morre após ser atingida por uma das sanitas da estação espacial MIR, na altura em que a mesma se desintegrou na atmosfera terrestre. No momento após a sua morte, George conhece Rube Sofer (Mandy Patinkin) que lhe revela que em vez de seguir para o «Além», ela se transformará numa «grim reaper», uma colectora de almas. O rol de personagens da série estende-se ainda a Mason (Callum Blue), Roxy (Jasmine Guy), Daisy Adair (Laura Harris), Reggie Lass (Britt McKillip), Clancy Lass (Greg Kean) e Delores Herbig (Christine Willes), entre outras.

 

Numa mistura quase perfeita de humor negro e drama, “Dead Like Me” é uma original incursão na «vida depois da morte». Por um lado, temos um grupo de personagens que vive numa espécie de mundo alternativo, os «grim reapers», figuras bastante caricatas, que lidam com a morte como se fosse apenas mais uma profissão, uma tarefa que alguém tem de cumprir, e que muitas vezes a encaram como algo de divertido. Ao mesmo tempo, um outro grupo de personagens, a família de George, vive o lado dramático da questão, o lado real de se perder alguém, com consequências devastadoras a nível emocional e a nível das relações humanas.

 

Apesar de ficar sempre a sensação que lhe falta algo para se tornar fenomenal, é uma série que raramente desaponta, mesmo durante uma segunda temporada menos conseguida.

 

Divertida. Sensível. Tocante. Excêntrica. Original. São 29 episódios de grande qualidade, com uma conclusão quase perfeita.

 

 Créditos Inicias

Trailer 

 Promo

     

 

publicado por ZB às 12:24
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Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2008

Regresso ao Passado: The Stand (1994)

 

This is the way the world ends

This is the way the world ends

This is the way the world ends

Not with a bang but a whimper.

 

T.S. Eliot

 

Um acidente num laboratório remoto, onde o governo norte-americano manipulou o vírus da gripe criando uma nova estirpe incurável, provoca a dizimação gradual de quase toda a população mundial. Os sobreviventes, imunes ao vírus, começam a partilhar os mesmos sonhos, onde surgem duas peculiares personagens: uma mulher, idosa, que lhes diz que o seu destino é ir ao seu encontro; e um homem, abraçado pela escuridão e revelando uma silhueta ameaçadora. Daqui surgem duas facções, o eterno paradigma Bem vs. Mal, que vão travar uma luta pelo domínio do mundo.

 

The Stand” é uma minissérie de 1994, baseada na obra literária homónima do mestre do horror, Stephen King – que também escreveu o argumento –, realizada por Mick Garris, e que conta com nomes no elenco como Gary Sinise, Molly Ringwald, Jamey Sheridan, Laura San Giacomo, Miguel Ferrer, Corin Nemec, Rob Lowe, entre outros, e onde aparecem ainda, não creditados, Ed Harris, Kathy Bates, Kareem Abdul-Jabbar, Sam Raimi e o próprio Stephen King.

 

Dividida em quatro capítulos de hora e meia – “The Plague”, “The Dreams”, “The Betrayal” e “The Stand” –, esta minissérie representa uma excelente incursão por mundos pós-apocalípticos, mas cuja trama se desenvolve pelos caminhos do sobrenatural em vez da abordagem mais realista, como é o caso de “Jericho” ou “I Am Legend”. Muito boa história. Boas interpretações. Razoável concretização. Bom entretenimento.

    

Créditos iniciais:

 

publicado por ZB às 15:50
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